quarta-feira, 4 de novembro de 2020

 

O PEDAGOGO E A AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO: CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Luciana Barbosa Santos [1]

 

RESUMO

 

A discussão sobre avaliação da aprendizagem, seus critérios e métodos é antiga e ao mesmo tempo também contemporânea. Apresenta- se com uma constante em se tratando da organização do trabalho pedagógico. Pensando no aluno surdo, requer do professor/pedagogo maior desprendimento de atenção em relação aos demais do espaço da sala de aula. A aprendizagem do aluno surdo bem como o ensino desse requer propriedades diferenciadas isso também deverá acontecer com a sua avaliação. As concepções de avaliação que circundam o processo de ensino aprendizagem do aluno surdo, infelizmente é a mesma que se apresenta referente aos alunos ouvintes, pois bem, se essas concepções não têm dado conta de avaliar em nenhuma esfera qualquer sujeito do espaço escolar, ela precisa ser revisada, reformulada até deixar de assumir apenas uma ótica quantitativa e até que possa avaliar mais subjetivamente cada sujeito.

Palavras-chave: Pedagogo. Avaliação. Surdos.

 

1 INTRODUÇÃO

 

A discussão sobre avaliação da aprendizagem, seus critérios e métodos é antiga e ao mesmo tempo também contemporânea. Apresenta- se com uma constante em se tratando da organização do trabalho pedagógico. É uma prática auxiliar na construção e desenvolvimento da atividade de ensino aprendizagem que deve trazer para o cerne dos processos trajetórias de vida dos sujeitos implicados nessa atividade, assim sendo, importa flexibilizar métodos e critérios utilizados no ato de ensinar e avaliar, isto é, promover contextualização  e reformulação das  metodologias aplicadas. Segundo Luckesi (1995), a avaliação tem sua origem na escola moderna com a prática de provas e exames que se sistematizou a partir do século XVI e XVII, com a cristalização da sociedade burguesa. Ficando assim claro que essa é realmente uma prática do princípio que perdura até a contemporaneidade. Levando em conta que avaliar é necessário ao processo ensino aprendizagem e que vem sendo discutido sobre as mais diversas óticas, pensar e repensar seus critérios e métodos torna-se imprescindível. No entanto avaliar não deve ser considerado uma tarefa fácil, elaborar uma avaliação escolar pautada na coerência e que não seja injusta, que favoreça todos os sujeitos envolvidos no processo é uma atividade bem complexa. E em se tratando de realizar uma avaliação que dê conta de muitas especificidades dos muitos sujeitos presentes no universo que é uma sala de aula, levando em consideração também suas particularidades físicas ou intelectuais, encontra ainda maiores dificuldades. Pensando no aluno surdo,  este pela privação do sentido da audição que é um sentido de grande importância para a aquisição e desenvolvimento da linguagem e da escrita, e que  possui imensas e profundas dificuldades na comunicação oral e gráfica, requer do professor/pedagogo maior  desprendimento de atenção em relação aos demais do espaço da sala de aula.  Para os surdos, a Língua Portuguesa é um instrumento que não se apresenta como recurso facilitador da relação de troca e interação entre aluno e professor, mas na verdade se constitui num obstáculo que deverá ser  transposto , pois, na maioria dos casos, a primeira língua do aluno surdo é a LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais e não a Língua Portuguesa.  A aprendizagem do aluno surdo bem como o ensino desse requer propriedades diferenciadas isso também deverá acontecer com a sua avaliação.

 

2. O PEDAGOGO E O ENSINO APRENDIZAGEM DO ALUNO SURDO

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB, nº 9394/1996) estabelece em seu texto que todos os sistemas de ensino, devem assegurar, principalmente, professores especializados ou devidamente capacitados, que tenham condição de atuar com qualquer pessoa especial em sala de aula. Dessa maneira, não se pode negar ao aluno surdo o direito de ser atendido pelo sistema regular de ensino, embora este possa ser um processo vagaroso, já que, a maior parte dos professores da rede regular de ensino não está preparada para o atendimento aos alunos com necessidades especiais. No que diz respeito à educação inclusiva da criança surda as propostas educacionais que têm se apresentado em nosso país têm se mostrado realmente ineficientes no trabalho com esse público, uma vez que, após anos de estudos, verifica-se que os mesmos apresentam sérias limitações, no que tange a linguagem e a escrita. A formação inicial do pedagogo ( graduação), em suma, não traz aporte capacitador para a educação do aluno surdo, no entanto é direito de todos o acesso a salas de aulas regulares (inclusão). Assim o aluno surdo e o professor em geral necessitam de um mediador que geralmente é o intérprete de Libras e/ou professor de AEE (Atendimento Especial Especializado). A inclusão escolar busca a adaptação ou adequação dos espaços e das práticas pedagógicas, dessa maneira o intérprete de Libras e/ou professor de AEE,  é uma necessidade quando o professor/pedagogo não dá conta dessa tarefa. É importante trabalhar  com alterações nas diversas  formas de ensino, buscando metodologias adequadas e avaliação que seja condizente com as especificidade do aluno Surdo; primar impreterivelmente por um planejamento que conduza a elaboração de trabalhos que sejam passíveis da promoção da  interação entre surdos e ouvintes, para tornar possível e real o  atendimento a diversidade dos alunos. Essa é uma tarefa de uma complexidade ímpar, mas que poderá/deverá produzir o sucesso do processo. 

 

2.1 O PEDAGOGO E A AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO.

A educação especial, inicialmente segregacionista e preconceituosa, tem percorrido historicamente um caminho que seguiu primeiro pela integralização  dos sujeitos e hoje segue para uma educação inclusiva, percebe-se claramente a transposição da cultura segregacionista, em que o aluno não estava preparado ( nem seria) para viver com a comunidade ouvinte, à cultura integradora, em que o aluno estava entre os ouvintes mas ainda separados pela ausência de comunicação, caminhando  pois para na atualidade o contexto da educação inclusiva, superando as antigas concepções. A realidade do contexto histórico da  avaliação, é  que, existe um complexo acumulativo  de provas, exames e testes ao qual os alunos são submetidos nos espaços escolares, e que para além dessas existem ainda  outros  tipos  de  avaliação, as chamadas avaliações externas,  que também  utilizam instrumentos de exames, testes e provas, que devem ser realizados  obrigatoriamente. Por levarem em conta apenas o quantitativo essas avaliações têm deixado de  ser  formativa,  menos  ainda  de  ensino,  e  tampouco  de  aprendizagem,  e  se tornado uma mera e ineficaz atividade de controle. Além do mais a avaliação sob as bases em que se apresenta produz um comprometimento extraclasse  dos professores  com  a  elaboração,  aplicação,  correção  de  provas  além  do  preenchimento  de planilhas diagnósticas e diário escolar (tabulação), e de alimentação de sites que realizam, esses trabalhos. Outro exemplo da negatividade desse tipo de avaliação é que ela tem piorado o adoecimento dos professores, tornando sua saúde frágil e comprometida. Se essa realidade avaliativa já é exaustiva para os alunos ouvintes, então pensemos nos alunos surdos que possuem o agravante de professores e sistema não se prepararem para avaliá-los. A avaliação para esses sujeitos nestas bases constitui-se um instrumento ineficaz e insuficiente que não produz nenhuma melhora da aprendizagem, e esse deveria ser seu principal objetivo.

 

 2.2 AS CONCEPÇÕES RELATIVAS À AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO.


As concepções de avaliação que circundam o processo de ensino aprendizagem do aluno surdo, infelizmente é a mesma que se apresenta referente aos alunos ouvintes, pois bem, se essas concepções não têm dado conta de avaliar em nenhuma esfera qualquer sujeito do espaço escolar, ela precisa ser revisada, reformulada até deixar de assumir apenas uma ótica quantitativa e até que possa avaliar mais subjetivamente cada sujeito. Aos
processos de avaliação escolar do educando surdo, são necessários a  são de a que seu aprendizado e manifestação linguística ocorrem predominantemente pelo campo visual, a Língua brasileira de sinais é gestual e observa atributos faciais, assim o professor pedagogo precisará se utilizar de recursos visuais para produzir aprendizagem e para avaliar essa aprendizagem. Dessa maneira, o acumulativo de provas, exames e testes deverá ser redirecionado para uma concepção qualitativa da aprendizagem, abordando desenhos e imagens como recurso didático visual,  para atingir plenos resultados para o desenvolvimento educacional dos alunos surdos. A análise do desenvolvimento do educando, deve, pois levar a outros aprendizados qualitativos, muitas vezes não têm como ser avaliados por exames, provas e testes. E, quando aplicados, devem ser planejados para que se torne diversificado, contextualizado, problematizador e que consiga realmente ser um instrumento capaz de inferir sobre a aprendizagem real do educando surdo. Assumir uma concepção de avaliação qualitativa tem se apresentado como um caminho exitoso na avaliação de todos os sujeitos da sala de aula.

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os processos de avaliação quando pensados para inclusão do estudante surdo, precisam assumir planejamentos sob a ótica da observação das suas especificidades, adotando o aspecto visual como parâmetro  principal para a assimilação e apropriação  de conhecimentos por esses alunos, inclusive para a aquisição da linguagem e escrita em língua portuguesa, que deve ser assumida como segunda língua para os alunos surdos. Avaliar deve ser pensado pelo professor/ pedagogo, como maneira de refletir a práxis pedagógica, já mais para quantificar ou comparar os sujeitos, deve ser uma ferramenta para que haja uma organização dessa práxis, e através desta seja possível realizar uma inclusão com qualidade e principalmente com equidade, referenciando cada sujeito segundo suas necessidades e especificidades.

.

 

4 REFERÊNCIAS

 

CHUEIRI, Mary Stela Ferreira. Concepções sobre a Avaliação Escolar. Publicado em Estudos em Avaliação Educacional, v. 19, n. 39, jan./abr. 2008.

CUNHA, Vera Lúcia Orlandi. OLIVEIRA, Adriana Marques de. Capellini, Simone Aparecida. COMPREENSÃO DE LEITURA: princípios avaliativos e interventivos no contexto

Educacional. Disponível em:  https://repositorio.unesp.br/handle/11449/114868 acessado em 30/10/2019.

FERNANDES, Sueli. Avaliação Em Língua Portuguesa Para Alunos Surdos: Algumas Considerações. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/janeiro2013/otp_artigos/sueli_fernandes.pdf   acessado em 30/10/2019.

GONÇALVES, Ana Gabriela Da Cruz. LISBOA, Thainá Trindade. SILVA, Carlos Diego Batista Da. ARAÚJO, Maria Cristinha Lopes Silva. Avaliação Da Aprendizagem  e o Aluno Surdo.Disponível em :  https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/24395_12387.pdf acessado em 30/10/2019.

OTSUKA, Joice Lee. ROCHA, Heloísa Vieira da. Avaliação formativa em ambientes de EaD. Disponível em:

https://www.br-ie.org/pub/index.php/sbie/article/view/174 acessados em 30/10/2019.

 KLEIN, Luis Fernando. Alegria De Aprender, Alegria De Avaliar! Disponível em file:///C:/Users/nildo%203/Downloads/Klein,LF1998AlegriaAprenderAvaliar%20(2).pdf acessado em 30/10/2019

COSTA, Rafaela Aparecida Rodrigues. Identidade Do Pedagogo: Formação E Atuação. Disponível em:

https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/16596_10509.pdf acessado em 30/10/2019.

OLIVEIRA, Cícera Jussimara da Silva. Processos De Ensino-Aprendizagem E Avaliação. O Contexto Da Avaliação Da Aprendizagem No Município De Juazeiro Da Bahia. Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/16596_10509.pdf acessado em 30/10/2019.

 

 



[1] Graduada em pedagogia pela universidade do estado da Bahia, Aluno da especialização em LIBRAS com ênfase em Psicopedagogia, da Faculdade Metropolitana, Pólo Sobradinho – BA. Lucianabarbosa20112011@live.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário