O PEDAGOGO E A AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO: CONSIDERAÇÕES
INICIAIS
Luciana Barbosa Santos [1]
RESUMO
A discussão sobre avaliação da aprendizagem, seus critérios e métodos é
antiga e ao mesmo tempo também contemporânea. Apresenta- se com uma constante
em se tratando da organização do trabalho pedagógico. Pensando no
aluno surdo, requer do professor/pedagogo maior desprendimento de atenção em
relação aos demais do espaço da sala de aula. A
aprendizagem do aluno surdo bem como o ensino desse requer propriedades
diferenciadas isso também deverá acontecer com a sua avaliação. As concepções
de avaliação que circundam o processo de ensino aprendizagem do aluno surdo,
infelizmente é a mesma que se apresenta referente aos alunos ouvintes, pois
bem, se essas concepções não têm dado conta de avaliar em nenhuma esfera
qualquer sujeito do espaço escolar, ela precisa ser revisada, reformulada até
deixar de assumir apenas uma ótica quantitativa e até que possa avaliar mais
subjetivamente cada sujeito.
Palavras-chave: Pedagogo. Avaliação. Surdos.
1 INTRODUÇÃO
A discussão sobre avaliação da aprendizagem, seus
critérios e métodos é antiga e ao mesmo tempo também contemporânea. Apresenta-
se com uma constante em se tratando da organização do trabalho pedagógico. É
uma prática auxiliar na construção e desenvolvimento da atividade de ensino
aprendizagem que deve trazer para o cerne dos processos trajetórias de vida dos sujeitos implicados nessa atividade,
assim sendo, importa flexibilizar métodos e critérios utilizados no ato de ensinar
e avaliar, isto é, promover contextualização
e reformulação das metodologias aplicadas. Segundo Luckesi (1995),
a avaliação tem sua origem na escola moderna com a prática de provas e exames
que se sistematizou a partir do século XVI e XVII, com a cristalização da
sociedade burguesa. Ficando assim claro que essa é realmente uma prática do
princípio que perdura até a contemporaneidade. Levando em conta que avaliar é
necessário ao processo ensino aprendizagem e que vem sendo discutido sobre as
mais diversas óticas, pensar e repensar seus critérios e métodos torna-se
imprescindível. No entanto avaliar não deve ser considerado uma tarefa fácil, elaborar uma avaliação
escolar pautada na coerência e que não seja injusta, que favoreça todos os
sujeitos envolvidos no processo é uma atividade bem complexa. E em se tratando
de realizar uma avaliação que dê conta de muitas especificidades dos muitos
sujeitos presentes no universo que é uma sala de aula, levando em consideração
também suas particularidades físicas ou intelectuais, encontra ainda maiores
dificuldades. Pensando no aluno surdo, este
pela privação do sentido da audição que é um sentido de grande importância para
a aquisição e desenvolvimento da linguagem e da escrita, e que possui imensas e profundas dificuldades na
comunicação oral e gráfica, requer do professor/pedagogo maior desprendimento de atenção em relação aos
demais do espaço da sala de aula. Para
os surdos, a Língua Portuguesa é um instrumento que não se apresenta como
recurso facilitador da relação de troca e interação entre aluno e professor,
mas na verdade se constitui num obstáculo que deverá ser transposto , pois, na maioria dos casos, a
primeira língua do aluno surdo é a LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais e
não a Língua Portuguesa. A aprendizagem do aluno surdo bem como o
ensino desse requer propriedades diferenciadas isso também deverá acontecer com
a sua avaliação.
2. O
PEDAGOGO E O ENSINO APRENDIZAGEM DO ALUNO SURDO
A
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB, nº 9394/1996) estabelece
em seu texto que todos os sistemas de ensino, devem assegurar, principalmente,
professores especializados ou devidamente capacitados, que tenham condição de
atuar com qualquer pessoa especial em sala de aula. Dessa maneira, não se pode
negar ao aluno surdo o direito de ser atendido pelo sistema regular de ensino,
embora este possa ser um processo vagaroso, já que, a maior parte dos
professores da rede regular de ensino não está preparada para o atendimento aos
alunos com necessidades especiais. No que diz respeito à educação inclusiva da
criança surda as propostas educacionais que têm se apresentado em nosso país
têm se mostrado realmente ineficientes no trabalho com esse público, uma vez
que, após anos de estudos, verifica-se que os mesmos apresentam sérias
limitações, no que tange a linguagem e a escrita. A formação inicial do pedagogo ( graduação), em
suma, não traz aporte capacitador para a educação do aluno surdo, no entanto é
direito de todos o acesso a salas de aulas regulares (inclusão). Assim o aluno
surdo e o professor em geral necessitam de um mediador que geralmente é o
intérprete de Libras e/ou professor de AEE (Atendimento Especial Especializado).
A inclusão
escolar busca a adaptação ou adequação dos espaços e das práticas pedagógicas,
dessa maneira o intérprete de Libras e/ou professor de AEE, é uma necessidade quando o professor/pedagogo
não dá conta dessa tarefa. É importante trabalhar com alterações nas diversas formas de ensino, buscando metodologias
adequadas e avaliação que seja condizente com as especificidade do aluno Surdo;
primar impreterivelmente por um planejamento que conduza a elaboração de
trabalhos que sejam passíveis da promoção da
interação entre surdos e ouvintes, para tornar possível e real o atendimento a diversidade dos alunos. Essa é
uma tarefa de uma complexidade ímpar, mas que poderá/deverá produzir o sucesso
do processo.
2.1 O
PEDAGOGO E A AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO.
A
educação especial, inicialmente segregacionista e preconceituosa, tem
percorrido historicamente um caminho que seguiu primeiro pela
integralização dos sujeitos e hoje segue
para uma educação inclusiva, percebe-se claramente a transposição da cultura
segregacionista, em que o aluno não estava preparado ( nem seria) para viver
com a comunidade ouvinte, à cultura integradora, em que o aluno estava entre os
ouvintes mas ainda separados pela ausência de comunicação, caminhando pois para na atualidade o contexto da educação
inclusiva, superando as antigas concepções. A realidade do contexto
histórico da avaliação, é que, existe um complexo acumulativo de provas, exames e testes ao qual os alunos
são submetidos nos espaços escolares, e que para além dessas existem ainda outros
tipos de avaliação, as chamadas avaliações externas, que também utilizam instrumentos de exames, testes e
provas, que devem ser realizados
obrigatoriamente. Por levarem em conta apenas o quantitativo essas
avaliações têm deixado de ser formativa,
menos ainda de
ensino, e tampouco
de aprendizagem, e se tornado
uma mera e ineficaz atividade de controle. Além do mais a avaliação sob as
bases em que se apresenta produz um comprometimento extraclasse dos professores com
a elaboração, aplicação,
correção de provas
além do preenchimento
de planilhas diagnósticas e diário escolar (tabulação), e de alimentação
de sites que realizam, esses trabalhos. Outro exemplo da negatividade desse
tipo de avaliação é que ela tem piorado o adoecimento dos professores, tornando
sua saúde frágil e comprometida. Se essa realidade avaliativa já é exaustiva
para os alunos ouvintes, então pensemos nos alunos surdos que possuem o
agravante de professores e sistema não se prepararem para avaliá-los. A
avaliação para esses sujeitos nestas bases constitui-se um instrumento ineficaz
e insuficiente que não produz nenhuma melhora da aprendizagem, e esse deveria
ser seu principal objetivo.
2.2 AS CONCEPÇÕES RELATIVAS À AVALIAÇÃO DO ALUNO
SURDO.
As concepções de avaliação que circundam o processo de ensino aprendizagem do
aluno surdo, infelizmente é a mesma que se apresenta referente aos alunos
ouvintes, pois bem, se essas concepções não têm dado conta de avaliar em
nenhuma esfera qualquer sujeito do espaço escolar, ela precisa ser revisada,
reformulada até deixar de assumir apenas uma ótica quantitativa e até que possa
avaliar mais subjetivamente cada sujeito. Aos processos de
avaliação escolar do educando surdo, são necessários a são de a que seu aprendizado e manifestação
linguística ocorrem predominantemente pelo campo visual, a Língua brasileira de
sinais é gestual e
observa atributos faciais, assim o professor pedagogo precisará se utilizar de
recursos visuais para produzir aprendizagem e para avaliar essa aprendizagem.
Dessa maneira, o acumulativo de provas, exames e testes deverá ser
redirecionado para uma concepção qualitativa da aprendizagem, abordando
desenhos e imagens como recurso didático visual, para atingir plenos
resultados para o desenvolvimento educacional dos alunos surdos. A análise do
desenvolvimento do educando, deve, pois levar a outros aprendizados
qualitativos, muitas vezes não têm como ser avaliados por exames, provas e
testes. E, quando aplicados, devem ser planejados para que se torne
diversificado, contextualizado, problematizador e que consiga realmente ser um
instrumento capaz de inferir sobre a aprendizagem real do educando surdo.
Assumir uma concepção de avaliação qualitativa tem se apresentado como um
caminho exitoso na avaliação de todos os sujeitos da sala de aula.
3
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os
processos de avaliação quando pensados para inclusão do estudante surdo,
precisam assumir planejamentos sob a ótica da observação das suas
especificidades, adotando o aspecto visual como parâmetro principal para a assimilação e
apropriação de conhecimentos por esses
alunos, inclusive para a aquisição da linguagem e escrita em língua portuguesa,
que deve ser assumida como segunda língua para os alunos surdos. Avaliar deve
ser pensado pelo professor/ pedagogo, como maneira de refletir a práxis
pedagógica, já mais para quantificar ou comparar os sujeitos, deve ser uma ferramenta
para que haja uma organização dessa práxis, e através desta seja possível
realizar uma inclusão com qualidade e principalmente com equidade,
referenciando cada sujeito segundo suas necessidades e especificidades.
.
4
REFERÊNCIAS
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Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/114868
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30/10/2019.
[1] Graduada em pedagogia pela universidade do estado da Bahia, Aluno da especialização em LIBRAS com ênfase em Psicopedagogia, da Faculdade Metropolitana, Pólo Sobradinho – BA. Lucianabarbosa20112011@live.com.
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