domingo, 24 de setembro de 2017

RELATO DA FALA:
ANTONIO NÓVOA
“REGRESSO DOS PROFESSORES”
 Este trabalho consiste em fazer um breve relato da fala do Professor português Antônio Nóvoa, em um Seminário de comemoração ao dia dos professores na Escola Nossa Senhora das Graças, no Centro de Estudos Gracinha, núcleo de formação continuada de professores, com tema “Desafios do trabalho do professor no mundo Contemporâneo”, segundo ele, os professores vivenciam uma crise de identidade da escola e que os efeitos desta crise se evidenciam na pratica da atividade e no cotidiano do profissional professor.
Ele fala do dilema vivenciado dentro das escolas decorrente da linha de pensamento defendido pela pedagogia tradicional que se baseava na transmissão dos conhecimentos, e pela pedagogia moderna centrada no aluno, portanto, necessárias de serem reinventadas na sociedade contemporânea, pois segundo ele não se trata de centrar na escola e nos conhecimentos, tão pouco nos alunos, mas sim, na aprendizagem do mesmo, tendo como instrumento o conhecimento e definindo-o como prioridade dentro das escolas, pois a aprendizagem não se faz sem pessoas e as referencias as suas subjetividades, ou seus contextos sociais, como também aos próprios conhecimentos.

Antonio Nóvoa inicia sua fala fazendo uma critica ao modo como se discute educação hoje em dia, em especial como a educação aparece na mídia, como a banalizam, e como são pobres as intervenções feitas à educação nos debates públicos nos tempos atuais.
Trata também, da transferência das diversas responsabilidades que a sociedade tem feito para a escola, as quais os professores aos poucos vão se apropriando sem perceber, se tornando usurpadores das funções da família, do estado e da própria sociedade, causando dispersões, e confusão de papeis, que dificulta o discernir e o definir de prioridades, conceituando isso, como “transbordamento”, e diz que é necessário combate-lo dando como prioridade a aprendizagem dos docentes.
Apresentou em sua fala informações do movimento por meio de lei que naquele momento estava acontecendo em Portugual, da avaliação do desempenho dos professores feita pelos pais dos alunos, tendo como introdução de lei o argumento de que os professores não foram capazes de encontrar os mecanismos que regulasse a profissão de forma a permitir, que de fato, houvesse uma avaliação efetiva do trabalho. O autor ainda diz que, esta incapacidade está muito relacionada com a reduzida existência de lideranças profissionais como sindicatos atuantes e do baixo envolvimento dos professores nos movimentos de liderança, segundo ele a nossa credibilidade passa muito por qualquer coisa que os professores perderam já há alguns anos, que é a capacidade de intervenção política, pois é preciso ganhar a confiança da sociedade para o nosso trabalho, e assim ganhar maior credibilidade pública.
Relata em sua fala, que é muito importante construir uma nova profissionalidade docente que esteja baseada numa forte pessoalidade, pois mesmo com as invenções tecnológicas, os serviços, os programas, e as máquinas diversas, nada pode substituir um bom professor, nada substitui o bom senso e a capacidade de incentivar e motivar, promover  o encontro humano, a importância do dialogo e a vontade de aprender, algo que só os bons professores podem despertar no aluno.
Falou da resistência ao apoio e credibilidade aos profissionais jovens, e da falta de compromisso do profissional de carreira com a educação, ressaltou que é necessário que se tenham professores reconhecidos, prestigiados e competentes, que sejam apoiados no seu trabalho, apoio dado pela sociedade para que possam fazer a diferença.

Diante do que pude apropriar-me da fala do professor Nóvoa, algumas coisa me chamaram a atenção, uma delas é quando ele fala das transferências que a sociedade faz para a escola, esta atitude inconsciente ou não, talvez, compreendo ser uma das mais importantes causas da deficiência educacional dos dias atuais, a carga de responsabilidade atribuída hoje a escola torna-a incoerente atende-las com qualidade a sua área de competência ou ao menos próximo do que de fato deveria ser, e é onde ele diz que se faz necessário que a escola defina as suas prioridades para cumpri-las com satisfação e eficiência.
Outra é a questão dos que não querem aprender (esqueci-me de relatar esta fala no texto), como ele mesmo diz só o professor tem a capacidade do incentivo, da motivação, para tanto é necessário que este esteja ele também motivado, interessado, relaciono isso inclusive a professores formadores de professores desta própria universidade, claro que  não de forma generalizada, mas, encontramos aqui professores desestimulados a estimular, a provocar o saber nos discentes, entendo que aos que tem facilidade cognitiva e de interesse próprio, deve sim haver o interesse por este, mas o interesse maior deve ter maior consistência e direcionamento para aquele que apresenta dificuldade tanto de interesse quanto de cognição em minha opinião.
  



 Trabalho proposto pelo professor do Componente Curricular de Projeto de Pesquisa Pedagógica _ PPP III. Profº. Dr. Josenilton Vieira Nunes.   





Trabalho apresentado a Universidade Estadual da Bahia - UNEB, como Avaliação Parcial da Disciplina Estágio I, na pessoa do seu propositor a professora Francineide Santana.

 A PEDAGOGIA, O ESTÁGIO E A DOCÊNCIA: UMA RELAÇÃO DIALÓGICA
Luciana Barbosa Santos[1]
Na sociedade contemporânea, os avanços no âmbito tecnológico, rápidas e grandes transformações no mundo do trabalho, os meios de informação e comunicação têm modificado a sociedade em seus modos de se relacionar (vestir, andar, comer beber...) e isso incide direta e incisivamente sobre a escola.
A escola possui uma função, ou muitas funções sociais, políticas, e econômicas entre outras, a depender do espaço ou dos espaços que as circundam, no entanto o seu grande desafio tem sido educar crianças e jovens de forma a possibilitar sua formação, humana, cultural científica e tecnológica além de possibilitar a apropriação e valorização identitária.
A pedagogia é o campo  do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da prática educativa concreta que se  realiza na sociedade como um dos ingredientes básicos da atividade  humana, esta, como instrumento de revolução da escola deverá conversar com a mesma e refletir suas múltiplas funções e objetivos, além de suas práticas e sua práxis e assim realizar desconstrução, construção e reconstrução necessárias às realidades nas quais as mesmas estejam inseridas e sobre as quais estas realizem qualquer influência.
Refletindo sobre a pedagogia e sobre os direcionamentos dados a esta, temos que seus princípios, fundamentos e objetivos foram desde sua origem,  historicamente contraditórios, já que  são organizados  cientificamente dentro de pressupostos da ciência positivista, com a promessa de um método científico sendo capaz de explicar todas as qualidades da ciência. O método, originado nas ciências exatas, desfruta de um grande prestígio, fazendo que todos os fenômenos naturais ou sociais fossem submetidos ao rigor do método. Consequentemente, a Pedagogia fazendo parte das disciplinas sociais se viu impossibilitada de alcançar tal precisão, na aplicação do método. Como decorrência desta suposta cientificidade, a Pedagogia não exerceu a sua especificidade histórica, não encontrou um espaço de significação e não estabeleceu seu objeto de estudo.
Esta indefinição de papel tem contribuído para manter a Pedagogia no papel que hoje ainda infelizmente cumpre: práticas educativas conservadoras e descontextualizadas, tanto dos profissionais da educação como do próprio conhecimento científico. Nesse sentido, constitui-se num caminho necessário repensar a educação e a ciência que a fundamenta para buscar a reinterpretação dos conceitos principais do espaço científico da Pedagogia. Com o intuito de conceber a Pedagogia como ciência da educação, Libâneo (2001, p. 6) a define como “um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa.” A Pedagogia se ocupa do ato educativo; interessa-se pela prática educativa, fazendo parte da atividade humana e da vida social do indivíduo.
Outro educador que tem como preocupação a Pedagogia é Saviani (2001), que também preconiza que a Pedagogia tem íntima relação com uma teoria da prática educativa. Salienta que:
Na verdade o conceito de Pedagogia se reporta a uma teoria que se estrutura a partir e em função da prática educativa. A pedagogia, como teoria da educação, busca equacionar, de alguma maneira, o problema da relação educador-educando, de modo geral, ou, no caso específico da escola, a relação professor-aluno, orientando o processo de ensino e aprendizagem. (SAVIANI, 2001, p. 102).
Ao buscar-se os conceitos de pedagogia, encontra-se esta sempre envolvida, entrelaçada, diretamente ligada aos processos educativos o que implica dizer que toda prática pedagógica é educativa, no entanto nem toda prática educativa é pedagógica.
É preciso que os sujeitos do ato pedagógico assumam a pedagogia como uma ciência que não apenas reflete e teoriza os fenômenos e processo educativos, mas também que organiza e produz novas e diferentes possibilidades de exercer o ato pedagógico de forma a possibilitar o ato emancipativo de seus sujeitos.
Segundo estudos anteriores de escritores como Antonio Nóvoa, a docência ao longo dos séculos, foi se delineando e se estruturando como profissão, na medida em que se ia definindo a quem competia a função de realizar o ato de educar. Atribuição essa, que Por volta do século XVI, competia a igreja, ficando algumas congregações com a responsabilidade de realizar a educação formal. A docência pode ser entendida como processo e prática de produção, organização, difusão e apropriação de conhecimentos que se desenvolvem em espaços educativos escolares e não-escolares. Nesta perspectiva, o docente pode ser definido como um sujeito, em ação e interação com o outro, produtor de saberes na e para a realidade. A docência é, pois, como ação educativa que se constitui no ensino-aprendizagem, na pesquisa e na gestão de contextos educativos. Assim sendo temos que docência e pedagogia se relacionam diretamente por trabalharem com e para os processos educativos.
O estágio é o momento mais esperado em todos os processos de formação, espera-se geralmente que ele possibilite o aprender a fazer, o fazer o melhor possível. Além do conceito geral, reproduzido para produzir o estágio: atividade de caráter educativo e complementar ao ensino, com a finalidade de integrar o estudante em um ambiente profissional, o estágio curricular supervisionado, deve colocar o futuro profissional em contato com as diferentes realidades sociais, econômicas e culturais, proporcionando vivência e experiências que permitam ao estudante desenvolver uma consciência crítica e a capacidade de compreender a realidade e interferir sobre ela. Nesse contexto e segundo Selma Garrido, o estágio não pode ser momento de simples observação, mas de cruzar teorias estudadas com as realidades percebidas, realizar a reflexão sobre as especificidades do estágio e da prática de ensino para quem não exerce o magistério, trazendo elementos para a compreensão do estágio como oportunidade de aprendizagem da profissão docente e de construção da identidade profissional. Primeiramente esse momento é colocado como componente curricular, o estágio pode não ser uma completa preparação para o magistério, mas é possível, neste espaço, professores, alunos e comunidade escolar e universidade trabalharem questões básicas de alicerce, a saber : o sentido da profissão, o que é ser professor na sociedade que vivemos, como ser professor, a realidade dos alunos,  da escola,  do ensino fundamental, a realidade dos professores nessas escolas.
A análise crítica contextualizada do conceito de professor reflexivo permite superar suas limitações, afirmando-o como um conceito político-epistemológico que requer o suporte de políticas públicas conseqüentes para sua efetivação. PIMENTA & LIMA , 2012 p.19
É o momento de observar a questão do contexto em que a escola está inserida, a dinâmica escolar e seus espaços (perceber as relações de poder pelo controle realizado), o projeto político-pedagógico e as relações escolares, todos os aspectos devem ser trabalhados para a melhor compreensão da realidade e dinâmica escolar, o que se reflete em uma intervenção refletida e melhor adequada a esta realidade. O olhar do estágio precisa ir para além das práticas de sala de aula, contribuindo essa prática para a transformação da realidade e permitiria ao novo educador, docente, atuar numa perspectiva, inovadora e não apenas tornar-se um reprodutor de práticas didáticas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pedagogia, docência e estágio devem constituir-se numa prática dialógica desde seus pressupostos, fundamentos e objetivos, o que deverá produzir uma educação onde todos os seus sujeitos,: escola, discentes, docentes e  sociedade geral, possam alcançar a percepção individual e coletiva, de seus papéis e da relevância destes, para a conquista de indivíduos autônomos, senhores de práticas eficientes e eficazes, não apenas profissionalmente, mas humanamente, culturalmente, politicamente,  culminando a educação e seus processos numa ação libertadora.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
PIMENTA, Selma Garrido [et.al.]. Pedagogia, ciência da educação? São Paulo: Cortez, 1996.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia: o espaço da Educação na Universidade. Cadernos de Pesquisa, v. 37. N. 130, p. 99-134, jan./abr. 2007.
LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos: inquietações e buscas. Educar. n. 17. ,p. 153-176. Editora da UFPR. Curitiba, 2001.
PIMENTA, Selma G. & LIMA, Maria Socorro L. Estágio e Docência. São Paulo. Cortez Editora. 2012.



[1] Graduanda do 5º período de Pedagogia da UNEB – Campus III