Trabalho apresentado a Universidade
Estadual da Bahia - UNEB, como Avaliação Parcial da Disciplina Estágio I, na
pessoa do seu propositor a professora Francineide Santana.
A
PEDAGOGIA, O ESTÁGIO E A DOCÊNCIA: UMA RELAÇÃO DIALÓGICA
Luciana
Barbosa Santos[1]
Na
sociedade contemporânea, os avanços no âmbito tecnológico, rápidas e grandes
transformações no mundo do trabalho, os meios de informação e comunicação têm modificado
a sociedade em seus modos de se relacionar (vestir, andar, comer beber...) e
isso incide direta e incisivamente sobre a escola.
A escola
possui uma função, ou muitas funções sociais, políticas, e econômicas entre
outras, a depender do espaço ou dos espaços que as circundam, no entanto o seu grande
desafio tem sido educar crianças e jovens de forma a possibilitar sua formação,
humana, cultural científica e tecnológica além de possibilitar a apropriação e
valorização identitária.
A pedagogia é o campo do conhecimento que
se ocupa do estudo sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da
prática educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos
ingredientes básicos da atividade humana, esta, como
instrumento de revolução da escola deverá conversar com a mesma e refletir suas
múltiplas funções e objetivos, além de suas práticas e sua práxis e assim
realizar desconstrução, construção e reconstrução necessárias às realidades nas
quais as mesmas estejam inseridas e sobre as quais estas realizem qualquer
influência.
Refletindo
sobre a pedagogia e sobre os direcionamentos dados a esta, temos que seus
princípios, fundamentos e objetivos foram desde sua origem, historicamente contraditórios, já que são organizados cientificamente dentro de pressupostos da
ciência positivista, com a promessa de um método científico sendo capaz de
explicar todas as qualidades da ciência. O método, originado nas ciências
exatas, desfruta de um grande prestígio, fazendo que todos os fenômenos
naturais ou sociais fossem submetidos ao rigor do método. Consequentemente, a
Pedagogia fazendo parte das disciplinas sociais se viu impossibilitada de
alcançar tal precisão, na aplicação do método. Como decorrência desta suposta
cientificidade, a Pedagogia não exerceu a sua especificidade histórica, não
encontrou um espaço de significação e não estabeleceu seu objeto de estudo.
Esta
indefinição de papel tem contribuído para manter a Pedagogia no papel que hoje
ainda infelizmente cumpre: práticas educativas conservadoras e
descontextualizadas, tanto dos profissionais da educação como do próprio
conhecimento científico. Nesse sentido, constitui-se num caminho necessário
repensar a educação e a ciência que a fundamenta para buscar a reinterpretação dos
conceitos principais do espaço científico da Pedagogia. Com o intuito de
conceber a Pedagogia como ciência da educação, Libâneo (2001, p. 6) a define
como “um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua
totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação
educativa.” A Pedagogia se ocupa do ato educativo; interessa-se pela prática
educativa, fazendo parte da atividade humana e da vida social do indivíduo.
Outro
educador que tem como preocupação a Pedagogia é Saviani (2001), que também
preconiza que a Pedagogia tem íntima relação com uma teoria da prática
educativa. Salienta que:
Na
verdade o conceito de Pedagogia se reporta a uma teoria que se estrutura a
partir e em função da prática educativa. A pedagogia, como teoria da educação,
busca equacionar, de alguma maneira, o problema da relação educador-educando,
de modo geral, ou, no caso específico da escola, a relação professor-aluno,
orientando o processo de ensino e aprendizagem. (SAVIANI, 2001, p. 102).
Ao
buscar-se os conceitos de pedagogia, encontra-se esta sempre envolvida,
entrelaçada, diretamente ligada aos processos educativos o que implica dizer
que toda prática pedagógica é educativa, no entanto nem toda prática educativa
é pedagógica.
É preciso
que os sujeitos do ato pedagógico assumam a pedagogia como uma ciência que não
apenas reflete e teoriza os fenômenos e processo educativos, mas também que
organiza e produz novas e diferentes possibilidades de exercer o ato pedagógico
de forma a possibilitar o ato emancipativo de seus sujeitos.
Segundo
estudos anteriores de escritores como Antonio Nóvoa, a docência ao longo dos
séculos, foi se delineando e se estruturando como profissão, na medida em que
se ia definindo a quem competia a função de realizar o ato de educar.
Atribuição essa, que Por volta do século XVI, competia a igreja, ficando
algumas congregações com a responsabilidade de realizar a educação formal. A docência
pode ser entendida como processo
e prática de produção, organização, difusão e
apropriação de conhecimentos que se desenvolvem em espaços educativos escolares e não-escolares. Nesta perspectiva, o docente pode ser
definido como um sujeito, em ação e interação com o outro, produtor de saberes
na e para a realidade. A docência é, pois, como ação educativa que se constitui
no ensino-aprendizagem, na pesquisa e na gestão de contextos educativos. Assim
sendo temos que docência e pedagogia se relacionam diretamente por trabalharem
com e para os processos educativos.
O
estágio é o momento mais esperado em todos os processos de formação, espera-se
geralmente que ele possibilite o aprender a fazer, o fazer o melhor possível.
Além do conceito geral, reproduzido para produzir o estágio: atividade de
caráter educativo e complementar ao ensino, com a finalidade de
integrar o estudante em um ambiente profissional, o estágio curricular
supervisionado, deve colocar o futuro profissional em contato com as diferentes
realidades sociais, econômicas e culturais, proporcionando vivência e
experiências que permitam ao estudante desenvolver uma consciência crítica e a
capacidade de compreender a realidade e interferir sobre ela. Nesse contexto e
segundo Selma Garrido, o estágio não pode ser momento de simples observação,
mas de cruzar teorias estudadas com as realidades percebidas, realizar a reflexão sobre as especificidades do
estágio e da prática de ensino para quem não exerce o magistério, trazendo
elementos para a compreensão do estágio como oportunidade de aprendizagem da
profissão docente e de construção da identidade profissional. Primeiramente esse
momento é colocado como componente curricular, o estágio pode não ser uma
completa preparação para o magistério, mas é possível, neste espaço,
professores, alunos e comunidade escolar e universidade trabalharem questões
básicas de alicerce, a saber : o sentido da profissão, o que é ser professor na
sociedade que vivemos, como ser professor, a realidade dos alunos, da escola, do ensino fundamental, a realidade dos
professores nessas escolas.
A
análise crítica contextualizada do conceito de professor reflexivo permite
superar suas limitações, afirmando-o como um conceito político-epistemológico
que requer o suporte de políticas públicas conseqüentes para sua efetivação.
PIMENTA & LIMA , 2012 p.19
É o momento de observar a questão do contexto em que a escola está
inserida, a dinâmica escolar e seus espaços (perceber as relações de poder pelo
controle realizado), o projeto político-pedagógico e as relações escolares, todos
os aspectos devem ser trabalhados para a melhor compreensão da realidade e
dinâmica escolar, o que se reflete em uma intervenção refletida e melhor adequada
a esta realidade. O olhar do estágio precisa ir para
além das práticas de sala de aula, contribuindo essa prática para a
transformação da realidade e permitiria ao novo educador, docente, atuar numa
perspectiva, inovadora e não apenas tornar-se um reprodutor de práticas didáticas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pedagogia, docência e estágio devem constituir-se numa prática dialógica
desde seus pressupostos, fundamentos e objetivos, o que deverá produzir uma educação onde todos os seus
sujeitos,: escola, discentes, docentes e
sociedade geral, possam alcançar a percepção individual e coletiva, de
seus papéis e da relevância destes, para a conquista de indivíduos autônomos,
senhores de práticas eficientes e eficazes, não apenas profissionalmente, mas
humanamente, culturalmente, politicamente,
culminando a educação e seus processos numa ação libertadora.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
PIMENTA, Selma Garrido [et.al.]. Pedagogia, ciência da educação? São
Paulo: Cortez, 1996.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia: o espaço da Educação na
Universidade. Cadernos de Pesquisa, v. 37. N. 130, p. 99-134, jan./abr.
2007.
LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos: inquietações e
buscas. Educar. n. 17. ,p. 153-176. Editora da UFPR. Curitiba, 2001.
PIMENTA, Selma G. & LIMA, Maria
Socorro L. Estágio e Docência. São
Paulo. Cortez Editora. 2012.
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