quarta-feira, 4 de novembro de 2020

 

RESENHA CRÍTICA

Luciana Barbosa Santos

REFERÊNCIA

DEMO, Pedro. Demarcação científica. In: Metodologia Científica nas Ciências Sociais. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2009. P. 13-40.

CREDENCIAIS DO AUTOR

O professor Pedro Demo, como o mesmo prefere ser chamado, nasceu  em  Pedras  Grandes,  Santa  Catarina  no ano  de  1941. Aos  nove anos  iniciou  a  vida  acadêmica  em instituições franciscanas,  formou -se em  Filosofia, é PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken, Alemanha, 1967-1971, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles (UCLA), 1999 - 2000. Atualmente, é Professor Titular Aposentado e Professor Emérito da Universidade de Brasília (UnB), Departamento de Sociologia. Suas áreas de atuação sistemáticas são: Política Social (Educação) e Metodologia Científica. Tem  mais de 100 livros publicados e .defende a importância da prática da pesquisa científica na escola, desde os anos iniciais.

CORPO DO TEXTO

Pedro Demo, em seu livro intitulado Metodologia Científica nas Ciências Sociais, em seu primeiro capítulo que recebe a intitulação de Demarcação científica, realiza uma abordagem em busca da definição de ciências.  É mais fácil dizer que a ideologia e o senso comum não são ciência do que a definir.  O processo científico de maneira ampla é incapaz de produzir conhecimento puro e não passível de discussão e assim sendo se apresenta cercado, como não dizer norteado de ideologia e senso comum. A ideologia é  essencialmente  tendenciosa  ao analisar a realidade .O  senso comum,  através  do  bom  senso  é  entendido  como  saber  simples,  porém inteligente.

A ideia é de que os estudos, para serem verdadeiramente científicos, precisem seguir alguns critérios internos; são eles: coerência, consistência, originalidade  e  objetividade. Os mesmos são importantes para que o trabalho possa ser avaliado como honesto e não permitam sobre a mesmo dúvida alguma, bem como coeso e relevante.  E o critério externo que é a intersubjetividade, significando a opinião dominante da comunidade científica em de terminada época e lugar.  O autor coloca em discussão a qualidade formal e a política, sendo  que  a primeira  se  refere  a  instrumentos  e  a  métodos  e  a segunda ,  a  finalidades  e  a conteúdos.  A primeira pode ser reaplicada tanto e quanto se pensar necessário, seria neutra e poderia significar a perfeição na dos trabalhos. A qualidade política põe sobre as proposições mais questões do que respostas e é uma conquista humana, pois objetos naturais não possuem propriamente qualidade. 

Pedro Demo apresenta como sendo uma das questões mais importantes para a ciência é a sua coincidência com a realidade do que é estudado. 

A ciência é apenas uma das formas de ver a realidade e o pesquisador é incapaz de descrever um objeto de forma neutra. O objeto construído cientificamente expresso a relação distinta entre o sujeito e o objeto.

Todo conhecimento parte e se funda em conhecimentos anteriores e em tradições herdadas e a demarcação científica “a começar pela concepção do que é realidade e do que é ciência para captá - la e influenciá-la”. A metodologia tradicional fundamenta-se, indistintamente, na qualidade formal.  A lógica formal baseia-se no princípio a identidade, a dedução e a tautologia e mesmo sendo muito importante não é completa sem a inclusão do fenômeno processual histórico.  A metodologia precisa considerar que a ciência trabalha com o objeto construído que, muitas vezes, é inventado, o pensamento nunca esgota o pensado, a ciência é também produto e atividade social e não gera certezas cabais.

O autor coloca que a ciência é um método sempre e continuamente superado por métodos novos e por isso, a ciência é verdade apenas durante um período.  No entanto, os conceitos superados não deixam de ser úteis.  A evolução da ciência se dá, especialmente, devido às críticas já que a verdade é uma etapa do processo.  Demo coloca que a prática só pode ser parcial, porque está historicamente determinada e a teoria pode ser dominante, porque não tem compromisso histórico.  Logo, não existe afirmação absoluta e nesse dilema conclui-se que a ciência é utopia.  A evolução que o cientista busca é fruto dessas sucessivas verdades e a conclusão por uma encerraria o processo científico. 

 

O autor encerra o capítulo afirmando que, uma teoria, “quanto mais convencida  de  si  mesma,  mais  equivocada ou limitada é. Conhecer as  limitações  das metodologias,  buscar  incluir  a  qualidade  formal  e  política  e  saber  que  a  ciência será,  por  um   processo  natural,  superada  diminui  a  precariedade  da   construção científica.

Demo realiza de maneira clara discussões importantes a respeito de ciência e como esta é ou deve ser feita. Saber das limitações das metodologias, da impossibilidade de neutralidade por parte do pesquisador, da relação de transitoriedade das “verdades” que são cientificamente estabelecidas e da evolução e/ou superação, definidos por retrocessos e avanços, da ciência faz do pesquisador um sujeito mais consciente dos seus limites e mais cauteloso com suas proposições.

 

 

 

UNIVERSIDADEDO ESTADI DA BAHIA – UNEB

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS – DCHIII

 

 

 

 

LUCIANA BARBOSA SANTOS

 

 

 

 

 

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FORMAL DE SOBRADINHO: REGISTROS DA MEMÓRIA PELA ORALIDADE

 

 

 

 

 

JUAZEIRO – BAHIA

2015

LUCIANA BARBOSA SANTOS

 

 

 

 

 

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FORMAL DE SOBRADINHO: REGISTROS DA MEMÓRIA PELA ORALIDADE

 

 

 

                                                                            Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a professora Lizete Brandão Ramos, responsável pelo componente curricular TCCI, como requisito básico para a avaliação do componente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JUAZEIRO

2015

 

SUMÁRIO

 

1. INTRODUÇÃO.................................................................................................

2. JUSTIFICATIVA ..............................................................................................

3. PROBLEMA DE PESQUISA............................................................................

4. OBJETIVOS.....................................................................................................

4.1 GERAL ...........................................................................................................

4.2 ESPECÍFICOS ...............................................................................................

5.FUNDAMENTAÇÃOTEÓRICA..........................................................................

6. METODOLOGIA DA PESQUISA ....................................................................

7. REFERÊNCIAS................................................................................................

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

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Este trabalho tem como tema a história da educação do município de Sobradinho,tem início a partir da proposta da Professora Lizete Ramos, durante o quarto semestre deste Curso de graduação, no componente curricular de “currículo” e vai se firmando durante os semestres seguintes mais especificamente nos componentes de Ensino de História à partir das proposições do professor Luciano Bonfim, e do componente Educação e cultura Afro ministrado pelo tirocinante Antonio Carvalho .

 Na intencionalidade exposta na fala da professora Lizete, foi-nos proposto a escrita de nossas memórias educacionais, o professor Luciano Bonfim promoveu discussões referentes ao estudo da relação entre história e memória baseado em Jacques Legoff e a produção de um fichamento do livro História e Memória do referido autor, O tirocinante Antônio Carvalho promoveu discussões referentes a identidade à partir de Stuart Hall, requisitou-nos a produção de uma resenha crítica do texto “A identidade cultural na pós-modernidade” o que trouxe clareza as características que o trabalho teria.

Nesse contexto,é de grande relevância a memória dos fatos passados da nossa trajetória educacional para a compreensão de nossas práticas e das relações entre a teoria e a prática pedagógica bem como a contribuição dessas para a nossa formação. O passado foi algo que deixou marcas gravadas na memória, e essas marcas deixadas devem servir para valorizarmos o presente e ainda prolongar a capacidade de aprender através desse passado. Prever o futuro só é possível à partir dos significados que o passado e o presente nos oferecem. Para Sacristán (2000) não se trata de adivinhar o que nos espera, mas de ver com que imagens do presente-passado canalizarão o futuro, sua direção, seu conteúdo e seus limites.

Nesse entendimento, vamos compreendendo que o estudo da história local e regional contribui para a compreensão da história global à medida que possibilita a análise de micro-histórias, pertencentes aalguma outra história que as englobe e, ao mesmo tempo, reconheça suasparticularidades.

Refletindo sobre a importância daHistória local e ainda partindo do pressuposto de que amemória guarda vestígios muito claros da história, e que a educação tem papel relevante na formação social, intelectual e cultural do sujeito;este projeto  busca  investigar a história da educação formal que se desenrolou em Sobradinho-Ba com a construção da hidroelétrica,  à partir da memória  daqueles que a viveram pelo uso da sua oralidade.

Torna-se então impreterível que o estudo dessas categorias seja realizado sobre desdobramentos de uma abordagem qualitativa, como estratégias serão utilizadas entrevistas abertas, e escrita de uma memória, além de o estudo de documentos escolares que atendam as necessidades da pesquisa, o que permitirá pensá-la em diversos contextos. Deste modo o relato oral apresenta-se, enquanto método e prática do campo de conhecimento histórico, que reconhece que as trajetórias dos indivíduos e dos grupos merecem ser ouvidas, também as especificidades de cada sociedade devem ser conhecidas e respeitadas.

Assim o objetivo deste projeto de pesquisa é realizar investigação referente a história escolar/educacional deste município,passado e presente, construção  desconstrução e reconstrução da memória dos sujeitos pelo uso da oralidade e responder ao questionamento: qual a contribuição da história da educação do município de sobradinho para a construção da identidade do sujeito cidadão?  proporcionando interpretação da história da educação deste município

JUSTIFICATIVA

A palavra “história” etimologicamente vem do grego antigo historie e significa aquele que vê; que se informa. Seu surgimento data do século V antes de Cristo, nas sociedades ocidentais, mais especificamente, na antiguidade grega (Heródoto crer-se que tenha sido,senão o primeiro historiador, pelo menos “o pai da história”), mas que remonta a umpassado ainda mais remoto, nos impérios do Próximo remo Oriente. (LE GOFF,1996 ).

A memória é constituída à partir de pessoas, personagens, que possuem identidade individual ou coletiva,é Segundo Pollack (1998), um fenômeno construído de forma coletiva e individualmente, tratando-se da memória herdada, é correto dizer que há uma ligação fenomenológica íntima entre a memória e o sentimento de identidade.

Assim sendo, apresenta-se como de extrema relevância estudar a memória dos sujeitos numa busca de construção da sua identidade, categoria que agora se apresenta como relevante para o estudo. A preservação da memória é um tema em destaque nos últimos anos, a preocupação com a conservação de registros de memória, nos diferentes contextos e suportes, justifica a reflexão sobre o perigo de esquecer ou perder tais registros que relatam fatos históricos marcantes de uma determinada sociedade.

Segundo Alessandro Portelli (2006), as fontes orais revelam as intenções dos feitos, suas crenças, mentalidades, imaginário e pensamentos referentes às experiências vividas. A fonte oral pode não ser um dado preciso, mas possui dados que, às vezes, um documento escrito não possui.

 O sentimento de identidade é o sentido da imagem de si, para si e para os outros. Isto é, a imagem que um sujeito adquire ao longo da vida referente a ele mesmo, a imagem que ele constrói e apresenta aos outros e a si próprio. Partindo desse pressuposto levantado por Pollack 1998, buscamos relacionar identidade e memória dos sujeitos e por acreditarmos que identidade é a base sobre a qual construímos a ideia de quem somos. Com ela definimos o padrão de relacionamento com a família, o grupo, as sociedades e o ambiente. Dela podem depender o nosso sucesso ou fracasso reprodutivo e profissional.

 Estabelece-se o desafio de transcender os horizontes do ensino e da aprendizagem em história mergulhando nas memórias pelo uso da oralidade e discutindo a questão da diversidade cultural que, mal gerenciada, pode dificultar a sustentabilidade dos projetos econômicos e sociais. Pautado no respeito à alteridade e à pluralidade este trabalho pretende contribuir na edificação e construção de contornos para a história da educação do município de sobradinho e sua contribuição para formação da identidadedo sujeito cidadão.

PROBLEMA

Qual a história da educação formal do município de sobradinho e sua contribuição para formação da identidade do sujeito cidadão.

 

OBJETIVO GERAL

  Conhecer a história da educação formal do município de Sobradinhoà partir da memória vivenciada no período da construção da barragem até os dias atuais.

OBJETIVOS ESECÍFICOS

              Identificar impactos sociais e identitários que contribuíram para a história da educação do município de Sobradinho -Ba.

              Realizar estudos documentários que possibilitem a construção da história da educaçãoformal de  Sobradinho.

              Analisar a contribuição da história da educação formaldo município de Sobradinho para a construção do sujeito cidadão.

              Entrevistar sujeitos que vivenciaram o processo educacional no município de Sobradinho – Ba.

METODOLOGIA DA PESQUISA

Apesquisa assume uma abordagem de cunho qualitativo, busca-se conhecer a relação dos sujeitos com a história da cidade e também investigar a existênciada noção de pertencimento ao local. Como estratégias serão utilizadasentrevistas abertas, e escrita de uma memória, além de o estudo de documentosescolares que atendam as necessidades da pesquisa.

O projeto que ora se está constituindo tem como foco central o estudo da memória em relação aos processos vividos em sua trajetória escolar/educacional, verificando sua representação na produção historiográfica da cidade de Sobradinhoatravés dahistóriaoral.

 A história oral irá se constituir, portanto em uma ferramenta fundamental de trabalho, pois possibilitará trazer à tona as lembranças dos lugares de memória, paralelamente e em contraposição à representação do patrimônio educacional/escolar instituído pelos governos, versão oficial de uma história local e regional que “inventa” uma identidade cultural comumaos sobradinhenses, trazendo marcos histórico, mitos, enfim toda uma simbologia que ostenta significados culturais fundamentados por referenciais teóricos e bibliográficos.

Assumindo a perspectiva de uma escrita ou de uma nova reescrita para a história à partir da memória pela oralidade dos sujeitos, a pesquisa estará fundamentada sobre pilares que propuseram  os questionamentos e nortearam as discussões.

Segundo Josemar da Silva Martins (2012), a produção do saber não é uma exclusividade das Universidades ou dos Centros de Pesquisa, institucionalmente legitimados pelo estado ou pelas corporações que gozam, com a chancela do estado, das premissas de legitimidade para acatar ou debelar o que lhes parecer pertinentes em termos de conhecimento, amparados pelo que convencionamos chamar de Ciência, ainda segundo Pinzoh, 2012,pag. 31: Há quem sustente que o conhecimento é fruto do investimento comum de todos nós, trabalho de todos, em todas as sociedades e em todas as atividades de produção de saber.

Assim sendo, busca-se refletir a história da educação do município de Sobradinho-Ba, através da memória e pela oralidade respondendo a questões de identidade pelas óticas dos sujeitos da história vivida e instituída do município de Sobradinho-Ba, realizando visitação da história desde a construção da barragem, atéos dias atuais.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A relação entre história vivida e história como conhecimento é ainda pouco problematizada e discutida. Parece que ainda não percebemos as similaridades entre essas, mas que essas noções são processos intimamente diferentes. Em decorrência disso, é comum ouvirmos a concepção de que a história ensinada é a história vivenciada.

A memória é um atributo pessoal e absoluto. Ela indica como o homem se relaciona com o passado e quais os elementos significativos deste passado, indica níveis de comparação, seleção de valores, hierarquia de acontecimentos da vida humana.

 A história relaciona-se com a memória produzida coletivamente, ou seja, o que determinadas sociedades guardaram como referências do passado.          Segundo Jacques Le Goff, a memória é a propriedade de conservar certas informações, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que permite ao indivíduo atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como passadas.

A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para libertação e não para a servidão dos homens (pág.477).

Neste sentido o estudo histórico da memória na perspectiva de construção de identidade, desempenha um papel importante, na medida em que contempla pesquisa e reflexão das relações construídas socialmente e dasrelações estabelecidas entre indivíduos, grupos e o mundo social.

A construção da identidade modifica a maneira como o individuo compreende os elementos do mundo e as relações que esses elementos estabelecem entre si, na medida em que lhe possibilita construir noções, proporcionando mudanças no seu modo de entender a si mesmo, entender os outros, as relações sociais e a sua própria História.

REFERENCIAS

·         Hall Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade, DP&A Editora, 1ª edição em 1992, Rio de Janeiro, 11ª edição em 2006, 102 páginas, tradução: tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro

·         LE GOFF, Jacques. História e Memória. Trad. (Bernardo Leitão...[ et. Al.] 4.ed. Campinas-SP: Editora UNICAMP, 1996.

·         PINZOH, Josemar Martins. Pesquisa-Criação, uma experiência com a escrita docente autobiográfica. Salvador. Eduneb, 2012.

·         POLLAK, Michael. Memória, esquecimento e Silêncio. In. Estudos Históricos. 1989/3. São Paulo. Cpdoc/FGV.

 

ATIVIDADE

 

1 - Liste algumas das contribuições da LDB que você considera fundamental para a Educação brasileira;

Dentre as inúmeras contribuições da LDB à educação brasileira consideramos como fundamentais:

·         A inclusão da educação de jovens e adultos na LDB/96, enquanto as anteriores não ofereciam espaço pra essa modalidade de ensino e também para a educação especial a LDB/96 abriu espaço colocou-a em pauta;

·         A ampliação da jornada do tempo escolar do ensino fundamental de 8 para 9 anos, pois entendemos que essa modificação possibilita melhor consolidação de processos de apropriação da aprendizagem.

 

2 - Sobre a Constituição Federal de 1988, por que se pode dizer que essa é uma Lei "cidadã"? 

 Essa é uma Lei cidadã, pois assegurou diversas garantias constitucionais, com o objetivo de dar maior efetividade aos direitos fundamentais, e permitiu assim a participação do poder judiciário sempre que houver lesão ou ameaça de lesão a direitos.

 

3- Analise o PNE e comente sobre as metas 15 e 16, analisando sobre sua aplicabilidade:

O Plano Nacional de Educação é um projeto que envolve responsabilidades compartilhadas entre a União, os estados e municípios, com a finalidade de melhorar a qualidade da educação no país. Tem a vigência de 10 anos, motivo pelo qual se sobrepõe às gestões e aos mandatos, o que o torna razoavelmente aplicável já que deve se manter ativo apesar de mudanças de condução político-partidária. A meta 15 do PNE trata da formação de professores, o Plano Nacional de Educação garante uma parceria entre a União, os estados e municípios para a criação de uma política nacional de capacitação dos profissionais da educação até 2024, para que todos os professores da educação básica possuam curso superior. A meta 16 trata da formação continuada para professores, espera-se que todos os professores dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio possuam formação superior na área em que lecionam, e diz ainda que, até 2024, metade dos professores da educação básica devem ter uma pós-graduação direcionada à sua área de conhecimento e 100% dos docentes devem ter uma formação continuada. As metas 15 e 16 do ponto de vista da sua aplicabilidade tornam-se frágeis ou de difícil alcance principalmente quando olhadas pela ótica dos entraves financeiros, tendo em vista o congelamento dos investimentos em educação por 20 anos em nosso país, mas também pela realidade cotidiana dos professores e das escolas no Brasil, onde existe uma cultura que retira do professor esse momento de formação, pois se trabalha entre 5 e 6 dias por semana, geralmente com mais de um vínculo empregatício, para superar a dificuldade dos salários baixíssimos. Além do que na prática, nem todo município possui escolas capazes de disponibilizar formação continuada ou universidades e cursos de graduação e pós-graduação. Dessa forma, e, observando a realidade do Brasil segundo o INEP, apenas 29% dos professores da Educação Básica são pós-graduados e apenas 32,8% dos que atuam nos anos finais do EF possuem licenciatura na área em que atuam, concluímos que o cumprimento dessa Meta não será uma tarefa fácil. Ainda assim, o acesso à formação é um direito garantido. Assim, os municípios que não estejam em condição adequada poderá optar por duas alternativas. È uma opção contemplar essa meta no Plano Municipal e buscar parcerias para viabilizar a iniciativa e/ou (quando não existe a possibilidade de garantir essa oferta) apoiar os moradores, facilitando o acesso ao ensino a distância (EaD) ou a cursos em outros municípios próximos.

 

4 - Escolha outras duas metas do PNE e analise os benefícios, consequências e aplicabilidade.

META 18. Plano de carreira docente - O Plano também determina, até 2016, a criação de um plano de carreira para os profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino — tendo como base o piso salarial nacional definido na Constituição Federal.

Há planos de carreiras em todos os estados e no Distrito Federal para os professores, o que nos faz entender que essa meta tem tido aplicabilidade positiva, e beneficiado os sujeitos da educação, no entanto segundo levantamento do INEP o piso salarial de professores não é cumprido por todos os municípios, poucos são os que repassam informações necessárias aos órgãos responsáveis, dificultando assim a fiscalização e medidas que possam produzir o alcance da meta

META 19. Gestão democrática - O PNE pretende assegurar as condições necessárias para uma gestão democrática da educação, que deve englobar critérios técnicos de mérito e desempenho, além de consultas à comunidade escolar. Para isso, prevê recursos e apoio do governo federal.

Ainda segundo o INEP, dados mostram que 89,1% das escolas declaram propor discussões com a equipe escolar e comunidade a respeito do projeto pedagógico, no entanto não há mecanismos ou indicadores que possam dar a certeza de como as práticas de gestão democrática estão acontecendo ou se realmente estão acontecendo.

 

5 - Pesquise sobre o PME de seu município e faça uma análise sobre o que diz a Lei sobre Educação Especial e Formação de Professores.

O PME de Sobradinho-Ba, apresenta uma estrutura semelhante à estrutura do PNE, com metas e estratégias pensadas para alcançá-las. Referente a formação de professores e a educação especial, estas são apresentadas não como metas,  mas como uma estratégia para o alcance da meta 17 do PME: valorizar os profissionais do magistério dos sistemas públicos de educação básica, afim de equiparar a 100%, em até seis anos a partir da vigência deste plano, ao maior salário vigente no país, dos demais profissionais com a escolaridade equivalente.

 

O PEDAGOGO E A AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO: CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Luciana Barbosa Santos [1]

 

RESUMO

 

A discussão sobre avaliação da aprendizagem, seus critérios e métodos é antiga e ao mesmo tempo também contemporânea. Apresenta- se com uma constante em se tratando da organização do trabalho pedagógico. Pensando no aluno surdo, requer do professor/pedagogo maior desprendimento de atenção em relação aos demais do espaço da sala de aula. A aprendizagem do aluno surdo bem como o ensino desse requer propriedades diferenciadas isso também deverá acontecer com a sua avaliação. As concepções de avaliação que circundam o processo de ensino aprendizagem do aluno surdo, infelizmente é a mesma que se apresenta referente aos alunos ouvintes, pois bem, se essas concepções não têm dado conta de avaliar em nenhuma esfera qualquer sujeito do espaço escolar, ela precisa ser revisada, reformulada até deixar de assumir apenas uma ótica quantitativa e até que possa avaliar mais subjetivamente cada sujeito.

Palavras-chave: Pedagogo. Avaliação. Surdos.

 

1 INTRODUÇÃO

 

A discussão sobre avaliação da aprendizagem, seus critérios e métodos é antiga e ao mesmo tempo também contemporânea. Apresenta- se com uma constante em se tratando da organização do trabalho pedagógico. É uma prática auxiliar na construção e desenvolvimento da atividade de ensino aprendizagem que deve trazer para o cerne dos processos trajetórias de vida dos sujeitos implicados nessa atividade, assim sendo, importa flexibilizar métodos e critérios utilizados no ato de ensinar e avaliar, isto é, promover contextualização  e reformulação das  metodologias aplicadas. Segundo Luckesi (1995), a avaliação tem sua origem na escola moderna com a prática de provas e exames que se sistematizou a partir do século XVI e XVII, com a cristalização da sociedade burguesa. Ficando assim claro que essa é realmente uma prática do princípio que perdura até a contemporaneidade. Levando em conta que avaliar é necessário ao processo ensino aprendizagem e que vem sendo discutido sobre as mais diversas óticas, pensar e repensar seus critérios e métodos torna-se imprescindível. No entanto avaliar não deve ser considerado uma tarefa fácil, elaborar uma avaliação escolar pautada na coerência e que não seja injusta, que favoreça todos os sujeitos envolvidos no processo é uma atividade bem complexa. E em se tratando de realizar uma avaliação que dê conta de muitas especificidades dos muitos sujeitos presentes no universo que é uma sala de aula, levando em consideração também suas particularidades físicas ou intelectuais, encontra ainda maiores dificuldades. Pensando no aluno surdo,  este pela privação do sentido da audição que é um sentido de grande importância para a aquisição e desenvolvimento da linguagem e da escrita, e que  possui imensas e profundas dificuldades na comunicação oral e gráfica, requer do professor/pedagogo maior  desprendimento de atenção em relação aos demais do espaço da sala de aula.  Para os surdos, a Língua Portuguesa é um instrumento que não se apresenta como recurso facilitador da relação de troca e interação entre aluno e professor, mas na verdade se constitui num obstáculo que deverá ser  transposto , pois, na maioria dos casos, a primeira língua do aluno surdo é a LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais e não a Língua Portuguesa.  A aprendizagem do aluno surdo bem como o ensino desse requer propriedades diferenciadas isso também deverá acontecer com a sua avaliação.

 

2. O PEDAGOGO E O ENSINO APRENDIZAGEM DO ALUNO SURDO

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB, nº 9394/1996) estabelece em seu texto que todos os sistemas de ensino, devem assegurar, principalmente, professores especializados ou devidamente capacitados, que tenham condição de atuar com qualquer pessoa especial em sala de aula. Dessa maneira, não se pode negar ao aluno surdo o direito de ser atendido pelo sistema regular de ensino, embora este possa ser um processo vagaroso, já que, a maior parte dos professores da rede regular de ensino não está preparada para o atendimento aos alunos com necessidades especiais. No que diz respeito à educação inclusiva da criança surda as propostas educacionais que têm se apresentado em nosso país têm se mostrado realmente ineficientes no trabalho com esse público, uma vez que, após anos de estudos, verifica-se que os mesmos apresentam sérias limitações, no que tange a linguagem e a escrita. A formação inicial do pedagogo ( graduação), em suma, não traz aporte capacitador para a educação do aluno surdo, no entanto é direito de todos o acesso a salas de aulas regulares (inclusão). Assim o aluno surdo e o professor em geral necessitam de um mediador que geralmente é o intérprete de Libras e/ou professor de AEE (Atendimento Especial Especializado). A inclusão escolar busca a adaptação ou adequação dos espaços e das práticas pedagógicas, dessa maneira o intérprete de Libras e/ou professor de AEE,  é uma necessidade quando o professor/pedagogo não dá conta dessa tarefa. É importante trabalhar  com alterações nas diversas  formas de ensino, buscando metodologias adequadas e avaliação que seja condizente com as especificidade do aluno Surdo; primar impreterivelmente por um planejamento que conduza a elaboração de trabalhos que sejam passíveis da promoção da  interação entre surdos e ouvintes, para tornar possível e real o  atendimento a diversidade dos alunos. Essa é uma tarefa de uma complexidade ímpar, mas que poderá/deverá produzir o sucesso do processo. 

 

2.1 O PEDAGOGO E A AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO.

A educação especial, inicialmente segregacionista e preconceituosa, tem percorrido historicamente um caminho que seguiu primeiro pela integralização  dos sujeitos e hoje segue para uma educação inclusiva, percebe-se claramente a transposição da cultura segregacionista, em que o aluno não estava preparado ( nem seria) para viver com a comunidade ouvinte, à cultura integradora, em que o aluno estava entre os ouvintes mas ainda separados pela ausência de comunicação, caminhando  pois para na atualidade o contexto da educação inclusiva, superando as antigas concepções. A realidade do contexto histórico da  avaliação, é  que, existe um complexo acumulativo  de provas, exames e testes ao qual os alunos são submetidos nos espaços escolares, e que para além dessas existem ainda  outros  tipos  de  avaliação, as chamadas avaliações externas,  que também  utilizam instrumentos de exames, testes e provas, que devem ser realizados  obrigatoriamente. Por levarem em conta apenas o quantitativo essas avaliações têm deixado de  ser  formativa,  menos  ainda  de  ensino,  e  tampouco  de  aprendizagem,  e  se tornado uma mera e ineficaz atividade de controle. Além do mais a avaliação sob as bases em que se apresenta produz um comprometimento extraclasse  dos professores  com  a  elaboração,  aplicação,  correção  de  provas  além  do  preenchimento  de planilhas diagnósticas e diário escolar (tabulação), e de alimentação de sites que realizam, esses trabalhos. Outro exemplo da negatividade desse tipo de avaliação é que ela tem piorado o adoecimento dos professores, tornando sua saúde frágil e comprometida. Se essa realidade avaliativa já é exaustiva para os alunos ouvintes, então pensemos nos alunos surdos que possuem o agravante de professores e sistema não se prepararem para avaliá-los. A avaliação para esses sujeitos nestas bases constitui-se um instrumento ineficaz e insuficiente que não produz nenhuma melhora da aprendizagem, e esse deveria ser seu principal objetivo.

 

 2.2 AS CONCEPÇÕES RELATIVAS À AVALIAÇÃO DO ALUNO SURDO.


As concepções de avaliação que circundam o processo de ensino aprendizagem do aluno surdo, infelizmente é a mesma que se apresenta referente aos alunos ouvintes, pois bem, se essas concepções não têm dado conta de avaliar em nenhuma esfera qualquer sujeito do espaço escolar, ela precisa ser revisada, reformulada até deixar de assumir apenas uma ótica quantitativa e até que possa avaliar mais subjetivamente cada sujeito. Aos
processos de avaliação escolar do educando surdo, são necessários a  são de a que seu aprendizado e manifestação linguística ocorrem predominantemente pelo campo visual, a Língua brasileira de sinais é gestual e observa atributos faciais, assim o professor pedagogo precisará se utilizar de recursos visuais para produzir aprendizagem e para avaliar essa aprendizagem. Dessa maneira, o acumulativo de provas, exames e testes deverá ser redirecionado para uma concepção qualitativa da aprendizagem, abordando desenhos e imagens como recurso didático visual,  para atingir plenos resultados para o desenvolvimento educacional dos alunos surdos. A análise do desenvolvimento do educando, deve, pois levar a outros aprendizados qualitativos, muitas vezes não têm como ser avaliados por exames, provas e testes. E, quando aplicados, devem ser planejados para que se torne diversificado, contextualizado, problematizador e que consiga realmente ser um instrumento capaz de inferir sobre a aprendizagem real do educando surdo. Assumir uma concepção de avaliação qualitativa tem se apresentado como um caminho exitoso na avaliação de todos os sujeitos da sala de aula.

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os processos de avaliação quando pensados para inclusão do estudante surdo, precisam assumir planejamentos sob a ótica da observação das suas especificidades, adotando o aspecto visual como parâmetro  principal para a assimilação e apropriação  de conhecimentos por esses alunos, inclusive para a aquisição da linguagem e escrita em língua portuguesa, que deve ser assumida como segunda língua para os alunos surdos. Avaliar deve ser pensado pelo professor/ pedagogo, como maneira de refletir a práxis pedagógica, já mais para quantificar ou comparar os sujeitos, deve ser uma ferramenta para que haja uma organização dessa práxis, e através desta seja possível realizar uma inclusão com qualidade e principalmente com equidade, referenciando cada sujeito segundo suas necessidades e especificidades.

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4 REFERÊNCIAS

 

CHUEIRI, Mary Stela Ferreira. Concepções sobre a Avaliação Escolar. Publicado em Estudos em Avaliação Educacional, v. 19, n. 39, jan./abr. 2008.

CUNHA, Vera Lúcia Orlandi. OLIVEIRA, Adriana Marques de. Capellini, Simone Aparecida. COMPREENSÃO DE LEITURA: princípios avaliativos e interventivos no contexto

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[1] Graduada em pedagogia pela universidade do estado da Bahia, Aluno da especialização em LIBRAS com ênfase em Psicopedagogia, da Faculdade Metropolitana, Pólo Sobradinho – BA. Lucianabarbosa20112011@live.com.