RESENHA CRÍTICA
Luciana Barbosa Santos
REFERÊNCIA
DEMO,
Pedro. Demarcação científica. In: Metodologia Científica nas
Ciências Sociais. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2009. P. 13-40.
CREDENCIAIS DO AUTOR
O professor Pedro Demo, como o mesmo prefere ser chamado, nasceu em Pedras
Grandes, Santa Catarina
no ano de 1941. Aos
nove anos iniciou a
vida acadêmica em instituições franciscanas, formou -se em
Filosofia, é PhD em Sociologia pela
Universidade de Saarbrücken, Alemanha, 1967-1971, e pós-doutor pela University
of California at Los Angeles (UCLA), 1999 - 2000. Atualmente, é Professor Titular Aposentado e Professor
Emérito da Universidade de Brasília (UnB), Departamento de Sociologia. Suas áreas de atuação sistemáticas são: Política
Social (Educação) e Metodologia Científica. Tem
mais de 100 livros publicados e .defende a importância da prática da pesquisa científica
na escola, desde os anos iniciais.
CORPO DO TEXTO
Pedro
Demo, em seu livro intitulado Metodologia Científica nas Ciências Sociais, em
seu primeiro capítulo que recebe a intitulação de Demarcação científica, realiza
uma abordagem em busca da definição de ciências. É mais fácil dizer que a ideologia e o senso
comum não são ciência do que a definir.
O processo científico de maneira ampla é incapaz de produzir conhecimento
puro e não passível de discussão e assim sendo se apresenta cercado, como não
dizer norteado de ideologia e senso comum. A ideologia é essencialmente tendenciosa
ao analisar a realidade .O senso
comum, através do
bom senso é
entendido como saber
simples, porém inteligente.
A
ideia é de que os estudos, para serem verdadeiramente científicos, precisem seguir
alguns critérios internos; são eles: coerência, consistência, originalidade e
objetividade. Os mesmos são importantes para que o trabalho possa ser avaliado
como honesto e não permitam sobre a mesmo dúvida alguma, bem como coeso e relevante. E o critério externo que é a intersubjetividade,
significando a opinião dominante da comunidade científica em de terminada época
e lugar. O autor coloca em discussão a qualidade
formal e a política, sendo que a primeira
se refere a
instrumentos e a métodos e a
segunda , a finalidades
e a conteúdos. A primeira pode ser reaplicada tanto e quanto
se pensar necessário, seria neutra e poderia significar a perfeição na dos
trabalhos. A qualidade política põe sobre as proposições mais questões do que respostas
e é uma conquista humana, pois objetos naturais não possuem propriamente
qualidade.
Pedro
Demo apresenta como sendo uma das questões mais importantes para a ciência é a sua
coincidência com a realidade do que é estudado.
A
ciência é apenas uma das formas de ver a realidade e o pesquisador é incapaz de
descrever um objeto de forma neutra. O objeto construído cientificamente
expresso a relação distinta entre o sujeito e o objeto.
Todo
conhecimento parte e se funda em conhecimentos anteriores e em tradições herdadas
e a demarcação científica “a começar pela concepção do que é realidade e do que
é ciência para captá - la e influenciá-la”. A
metodologia tradicional fundamenta-se, indistintamente, na qualidade
formal. A lógica formal baseia-se no princípio
a identidade, a dedução e a tautologia e mesmo sendo muito importante não é completa
sem a inclusão do fenômeno processual histórico. A metodologia precisa considerar que a ciência
trabalha com o objeto construído que, muitas vezes, é inventado, o pensamento nunca
esgota o pensado, a ciência é também produto e atividade social e não gera certezas
cabais.
O autor coloca que
a ciência é um método sempre e continuamente superado por métodos novos e por isso,
a ciência é verdade apenas durante um período.
No entanto, os conceitos superados não deixam de ser úteis. A evolução da ciência se dá, especialmente, devido
às críticas já que a verdade é uma etapa do processo. Demo coloca que a prática só pode ser parcial,
porque está historicamente determinada e a teoria pode ser dominante, porque não
tem compromisso histórico. Logo, não existe
afirmação absoluta e nesse dilema conclui-se que a ciência é utopia. A evolução que o cientista busca é fruto
dessas sucessivas verdades e a conclusão por uma encerraria o processo
científico.
O autor encerra o capítulo afirmando que, uma teoria,
“quanto mais convencida de si
mesma, mais equivocada ou limitada é. Conhecer as limitações
das metodologias, buscar incluir
a qualidade formal
e política e
saber que a ciência
será, por um
processo natural, superada
diminui a precariedade
da construção científica.
Demo
realiza de maneira clara discussões importantes a respeito de ciência e como esta
é ou deve ser feita. Saber das limitações das metodologias, da impossibilidade de
neutralidade por parte do pesquisador, da relação de transitoriedade das “verdades”
que são cientificamente estabelecidas e da evolução e/ou superação, definidos
por retrocessos e avanços, da ciência faz do pesquisador um sujeito mais consciente
dos seus limites e mais cauteloso com suas proposições.
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