quarta-feira, 4 de novembro de 2020

 

RESENHA CRÍTICA

Luciana Barbosa Santos

REFERÊNCIA

DEMO, Pedro. Demarcação científica. In: Metodologia Científica nas Ciências Sociais. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2009. P. 13-40.

CREDENCIAIS DO AUTOR

O professor Pedro Demo, como o mesmo prefere ser chamado, nasceu  em  Pedras  Grandes,  Santa  Catarina  no ano  de  1941. Aos  nove anos  iniciou  a  vida  acadêmica  em instituições franciscanas,  formou -se em  Filosofia, é PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken, Alemanha, 1967-1971, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles (UCLA), 1999 - 2000. Atualmente, é Professor Titular Aposentado e Professor Emérito da Universidade de Brasília (UnB), Departamento de Sociologia. Suas áreas de atuação sistemáticas são: Política Social (Educação) e Metodologia Científica. Tem  mais de 100 livros publicados e .defende a importância da prática da pesquisa científica na escola, desde os anos iniciais.

CORPO DO TEXTO

Pedro Demo, em seu livro intitulado Metodologia Científica nas Ciências Sociais, em seu primeiro capítulo que recebe a intitulação de Demarcação científica, realiza uma abordagem em busca da definição de ciências.  É mais fácil dizer que a ideologia e o senso comum não são ciência do que a definir.  O processo científico de maneira ampla é incapaz de produzir conhecimento puro e não passível de discussão e assim sendo se apresenta cercado, como não dizer norteado de ideologia e senso comum. A ideologia é  essencialmente  tendenciosa  ao analisar a realidade .O  senso comum,  através  do  bom  senso  é  entendido  como  saber  simples,  porém inteligente.

A ideia é de que os estudos, para serem verdadeiramente científicos, precisem seguir alguns critérios internos; são eles: coerência, consistência, originalidade  e  objetividade. Os mesmos são importantes para que o trabalho possa ser avaliado como honesto e não permitam sobre a mesmo dúvida alguma, bem como coeso e relevante.  E o critério externo que é a intersubjetividade, significando a opinião dominante da comunidade científica em de terminada época e lugar.  O autor coloca em discussão a qualidade formal e a política, sendo  que  a primeira  se  refere  a  instrumentos  e  a  métodos  e  a segunda ,  a  finalidades  e  a conteúdos.  A primeira pode ser reaplicada tanto e quanto se pensar necessário, seria neutra e poderia significar a perfeição na dos trabalhos. A qualidade política põe sobre as proposições mais questões do que respostas e é uma conquista humana, pois objetos naturais não possuem propriamente qualidade. 

Pedro Demo apresenta como sendo uma das questões mais importantes para a ciência é a sua coincidência com a realidade do que é estudado. 

A ciência é apenas uma das formas de ver a realidade e o pesquisador é incapaz de descrever um objeto de forma neutra. O objeto construído cientificamente expresso a relação distinta entre o sujeito e o objeto.

Todo conhecimento parte e se funda em conhecimentos anteriores e em tradições herdadas e a demarcação científica “a começar pela concepção do que é realidade e do que é ciência para captá - la e influenciá-la”. A metodologia tradicional fundamenta-se, indistintamente, na qualidade formal.  A lógica formal baseia-se no princípio a identidade, a dedução e a tautologia e mesmo sendo muito importante não é completa sem a inclusão do fenômeno processual histórico.  A metodologia precisa considerar que a ciência trabalha com o objeto construído que, muitas vezes, é inventado, o pensamento nunca esgota o pensado, a ciência é também produto e atividade social e não gera certezas cabais.

O autor coloca que a ciência é um método sempre e continuamente superado por métodos novos e por isso, a ciência é verdade apenas durante um período.  No entanto, os conceitos superados não deixam de ser úteis.  A evolução da ciência se dá, especialmente, devido às críticas já que a verdade é uma etapa do processo.  Demo coloca que a prática só pode ser parcial, porque está historicamente determinada e a teoria pode ser dominante, porque não tem compromisso histórico.  Logo, não existe afirmação absoluta e nesse dilema conclui-se que a ciência é utopia.  A evolução que o cientista busca é fruto dessas sucessivas verdades e a conclusão por uma encerraria o processo científico. 

 

O autor encerra o capítulo afirmando que, uma teoria, “quanto mais convencida  de  si  mesma,  mais  equivocada ou limitada é. Conhecer as  limitações  das metodologias,  buscar  incluir  a  qualidade  formal  e  política  e  saber  que  a  ciência será,  por  um   processo  natural,  superada  diminui  a  precariedade  da   construção científica.

Demo realiza de maneira clara discussões importantes a respeito de ciência e como esta é ou deve ser feita. Saber das limitações das metodologias, da impossibilidade de neutralidade por parte do pesquisador, da relação de transitoriedade das “verdades” que são cientificamente estabelecidas e da evolução e/ou superação, definidos por retrocessos e avanços, da ciência faz do pesquisador um sujeito mais consciente dos seus limites e mais cauteloso com suas proposições.

 

 

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